terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desvendando o negócio - ou onde está o dinheiro na informática?

Cenário 1: Indo ao site da OAB você vai encontrar uma lista de referência de valores a serem cobrados pelos advogados. Referência, pois não é uma tabela de preços, pois a OAB não obriga o advogado a cobrar o valor. Olhando a lista, alguns tipos de causas tem como sugestão um percentual do valor em questão.

Cenário 2: Depois de terminada a proposta para a grande concorrência, totalmente dentro do prazo, basta entregar o envelope lacrado no endereço destino. O gerente comercial chama o motoboy e paga o valor da corrida até o destino.

Cenário 3: Um especialista "sujeito-homem" é chamado para avaliar uma linha de produção para melhorar a eficiência dela. Depois de uma avaliação ele declara: Vamos medir a sua linha de produção. Não te cobro nada pelo serviço e você me dá 10% do ganho ao longo de 24 meses. Topa?

Interessante observar que, nós da área de informática, vivemos uma realidade paralela em relação ao restante do Brasil. Temos uma rápida curva de crescimento de remuneração mas, da mesma forma, chega-se a um teto virtual com relativa facilidadee aí começa um quê de insatisfação. Antes de prosseguir, se você discorda dos valores, compare quanto tempo um contador - trabalhando como funcionário - demora a atingir R$ 4.000,00.

Essa sedução ajuda você a entrar no jogo, mesmo sem saber exatamente das regras. Pois bem, a nossa área tem por característica primordial ser uma área meio, ou seja, ajuda outras áreas a atingirem seus objetivos. Isso você já sabia, podia não se lembrar... Para não nos dispersarmos vamos desconsiderar o pessoal que trabalha fazendo software pelo software, como sistemas operacionais e cia.

Voltando ao jogo, as "consultorias" - a.k.a. Fábricas de Software -, oferecem o serviço de fazer qualquer software, baseando-se basicamente no prazo necessário, de acordo com a quantidade e custo dos analistas de sistemaS envolvidos. Como não existe uma única empresa no mercado, elas disputam - em geral - pelo menor preço. Do outro lado, os clientes compram os serviços para fazer qualquer software. Existem alguns temperos extras como certificações para valorizar os serviços, mas não muda o jogo.

No meio do jogo, os analistas de sistemaS (o "S" assim é de propósito pois, afinal, fazemos qualquer sistema) querendo um bom ambiente de trabalho, um plano de carreira... Ou querer fazer o novo grande site da internet, querendo fazer valer tudo que estudou nos cursos e na faculdade: algoritmos, linguagens de programação, banco de dados, alguma coisa de modelagem, matemáticas e uma ou outra variação.

Qual é a pergunta certa a ser feita? A verdade é que aprendemos muita matemática e não a fazer conta.

Indo a pergunta:

Se a minha atividade é meio para outra, quanto ofereço para a atividade fim que apóio?

Essa é uma pergunta interessante. Talvez no caminho para responder a esta pergunta fique mais claro porque ofertas de serviços como ERP sejam mais caras, ou melhor, mais fáceis de colocar valor. Os tais dos ERPs talvez sejam mais inteligentes em indicar o ganho para o negócio, pois, ao menos, conhecem melhor um sistemA.

Precisamos entender muito melhor o que é um processo de negócio, o quanto esse processo vale para o cliente e, principalmente, quanto ofereço a esse negócio. Devemos nos afastar do motoboy e nos aproximarmos mais do especialista, visto que para o advogado a mensagem é clara: Se você vai ganhar muito dinheiro e precisa de mim para isso, nada mais justo que ter uma participação nesse ganho.

E você, ainda está perto do motoboy sem se preocupar com o que tem no envelope?

Um abraço e até a próxima.

Wesley

p.s.: Esse texto não teve a intenção de diminuir nenhuma profissão.

Um comentário:

Claudio Pires' Works disse...

A busca inicial pela relação "win-loose" sempre se mostra "loose-loose" no final!!! É esse tal do "jeitinho brasileiro", de sempre querer levar vantagem em tudo e não repartir o justo lucro.